Copie Et Après - COM FIGURINHAS


Quinta-feira, Janeiro 15, 2004



arrotos do... Alexandre Cruz Almeida



Um Big Mac e Uma Coca Light

Algumas situações irritam, ainda mais porque se repetem todos os dias. Estava eu na fila da lanchonete e a moça à minha frente, gordinha, pede um Big Mac e uma Coca Light média. Atrás de mim, dois galalaus zoam: "Vê se pode, Big Mac e Coca Light, que ridículo, até parece que se importa com o próprio peso!"

Se vocês forem como quase todo mundo que eu conheço, vão achar que o irritante é a moça gorda consumir um Big Mac com Coca Light. Se vocês forem como eu, vão achar que o irritante é um comentário tão babaca sobre uma atitude tão perfeitamente racional. Usemos o exemplo acima. De acordo com os sites das respectivas empresas, um Big Mac tem 490 calorias e uma Coca-Cola média, 200. Uma Coca Light do mesmo tamanho tem pouco mais de uma caloria. O consumo médio de calorias recomendado para um adulto é de 2000 a 2500. Para quem quer emagrecer, recomenda-se um consumo médio de aproximadamente 1200 a 2000 calorias, dependendo do seu tamanho. Eu, por exemplo, que malho quatro vezes por semana, tenho 1,79m e 95 kg, tento consumir cerca de 1500 calorias por dia. Digamos que a moça gorda esteja seguindo, ou deveria seguir, a mesma dieta. A refeição que ela escolheu tem cerca de 500 calorias, ou seja, um terço do seu total diário ideal. Ela ainda pode fazer duas refeições iguais a essa e ficar bem.

Por outro lado, as duas mulas atrás de mim e, aparentemente, a torcida do Flamengo, acham que já que ela caiu em tentação e pediu o Big Mac, ela devia escancarar logo de vez e pedir uma Coca normal. Mas a diferença é gigantesca. Pra começar, a tal refeição da torcida do Flamengo é 40% mais calórica. Ao invés de um terço, ela passa a representar praticamente a metade da ingestão calórica diária ideal. Pior, enquanto um Big Mac não é lá flor que se cheire (eu odeio!), as 490 calorias de um Big Mac trazem junto uma série de nutrientes importantíssimos presentes na carne, verduras, queijo, pão, etc. As 200 calorias da Coca Cola não trazem, literalmente, nada de bom. A não a cafeína, que só é boa se você estiver tentando ficar mais ligado, o resto é açúcar e químicos: só servem pra te fazer arrotar. Por fim, as calorias também não são todas iguais.

Hoje em dia, mais do que nunca, o peixe morre pela boca. Estatística e espelhisticamente (basta eu me olhar no espelho para saber disso), minhas chances são altas de morrer de um ataque do coração por causa do meu excesso de peso. Cada caloria adicional que eu como é um grãozinho de terra a mais sobre meu caixão. Elas todas têm que valer a pena. Como disse o paciente ao médico que lhe pediu pra cortar o charuto: "Mas um bom charuto É a vida!" Cabe a cada um de nós decidir pelo que vale a pena morrer. Quem sabe, pra menina gorda e para tantos outros que fazem esse tipo de opção, uma Coca-Cola não é algo pelo qual valha a pena morrer. Um suculento Big Mac sim. É uma decisão tão racional quanto qualquer outra. Eu fico só imaginando algum desses indignados no super-mercado. Está com o carrinho cheio, já gastou R$490. Aí, alguém sugere que ele gaste mais R$200 em porcarias, coisas que são até gostosas, mas que ele não precisa. Ele responde que não, que já gastou R$490, já está no seu limite, agora não pode gastar mais e precisa segurar sua onda. E os dois babacas atrás de mim na fila comentam: "Vê se pode, já gastou R$490 e agora não quer gastar mais R$200, que ridículo, até parece que se importa com o próprio dinheiro!" Como se quem gastasse R$490 pudesse, por definição, gastar mais R$200. Como se quem ingere 490 calorias também pudesse, por definição, ingerir mais 200 sem problema algum.



þérolå - 9:29 PM Comments:




regimes no... InternETC


Eu era assim...
e continuo igual
Depois de 30 anos de dietas milagrosas, cronista recusa-se a perder a fé.
Uma vez, O GLOBO fez uma reportagem com os dez principais médicos de regime do Rio. Não necessariamente os melhores, notem bem, mas os mais conhecidos, autores de best-sellers e de métodos especiais de dieta, favoritos de dez entre dez celebridades-prêt-à-porter. Algumas repórteres marcaram consultas, foram devidamente examinadas e receberam receitas de fórmulas "alternativas" todas, em tese, inofensivas. As receitas foram em seguida apresentadas a médicos sérios, que as traduziram para os leitores.
Pois ali, disfarçadas em remedinhos básicos de manipulação, estavam bolas da pesada, capazes dos piores estragos. Se bem entendi os doutores do bem, tomar uma delas ou formicida na veia dava mais ou menos na mesma.
A reportagem me chamou a atenção por um curioso detalhe: eu já havia feito dieta com oito (!) daqueles médicos. Só não fiz com os dez porque o tratamento de um era à base de injeções, e tenho pavor de injeção, e o outro só poderia me atender em agosto e quando eu quis consultá-lo estávamos, para variar, no começo de janeiro, essa época terrível em que saímos direto dos panetones e das rabanadas para a luz inclemente da praia.
Comentei o fato com os colegas que estavam fechando a matéria e eles ficaram escandalizados: "Você?! Nesses picaretas?! Uma mulher inteligente...!"
Pois é. Inteligente, sim, mas magra, não e vivendo numa sociedade em que todos os excessos são permitidos... menos o excesso de peso. Pelo contrário: a imagem da mulher ideal vendida pela publicidade, pela moda e pelos meios de comunicação é tão afastada da (excessiva) realidade que dizer a uma amiga que ela emagreceu é sempre um elogio ainda que, na verdade, ela melhorasse muito se engordasse uns dez quilos. Mas fazer uma observação dessas, hoje, nem pega bem.
Conheço mulheres de 50 anos que vivem à custa de anfetaminas, há décadas não fazem uma refeição digna do nome, se orgulham de comprar roupas em lojas para adolescentes e são, para todos os efeitos, consideradas bonitas. E, pasmem, normais.
Também conheço mulheres perfeitamente bonitas (e, para todos os efeitos, normais) que há tempos não conseguem comprar roupa aqui no Rio a menos que se conformem em apelar para lojas de gordinhas. Onde, em geral, nada se encontra de elegante e as vendedoras atendem com tão eufórica simpatia, que nem se lhes nota a comiseração.
Enfim: a pressão é tão grande que a gente topa qualquer negócio, mesmo sabendo, de antemão, que aquilo não vai dar certo. E, assim que aparece um novo pajé milagroso na praça, corre para marcar consulta.
Alguns desses senhores sequer são médicos; a maioria sequer é alfabetizada. Todos cobram uma fortuna, e quase todos atendem em consultórios luxuosíssimos, onde, como sói, não há uma só peça de bom gosto.
Nas salas de espera, mulheres até muito magras, que provavelmente fariam mais negócio se estivessem num bom terapeuta. Talvez também estejam.
A relação com qualquer desses médicos é sempre baseada em desprezo mútuo. Nós os desprezamos porque são picaretas; eles nos desprezam porque temos mais de 40 quilos e, obviamente, porque não é possível ter respeito por quem freqüenta picaretas. Apesar disso, como precisamos uns dos outros, há sempre uma cortesia falsa e excessiva no ar, pontuada de elogios e diminutivos. Hipocrisia, teu nome é dietética.
No filme da minha vida, aquele que vai passar inteirinho pela minha cabeça segundos antes do fim, apareço numa sucessão desses consultórios. Sempre com a certeza (confirmada) de estar sendo otária e a esperança (frustrada) de vir a ser magra.
A essa altura, é lógico que sei que as boas dietas (existe isso?) não dependem de fórmulas milagrosas; já cansei de ouvir falar em reeducação alimentar e na importância do exercício físico para a beleza e para a saúde; virei especialista em calorias, fibras e gorduras. Em suma, conheço a teoria como ninguém. Afinal, são 30 anos de tentativa e erro. Bota erro nisso!
Mas tudo bem, um dia eu acerto. Dizem que tem um cara ali na Barra que receita uns remédios à base de algas dos Alpes Marítimos que secam a pessoa em duas semanas.
Sem dieta e sem ginástica.
Tô dentro!



þérolå - 9:21 PM Comments:





conceituando no... Folhetim Bizarro



Conceito
- É, mas se eu fosse você eu saia correndo agora.
- Por quê?
- Porque eu sou um conceito.
- Conceito? Como assim?
- Um fenômeno observável. Algo assim, que as pessoas pegam pra pesquisar, sabe?
- Você me parece normal...
- Não! Fuja! Eu já começo a projetar a maternidade na sua figura. Eu preciso preencher esse buraco enorme na minha alma... Essa sede que eu não consigo matar... É edipiano. Se eu fosse você...
- Pára de frescura, garoto. Vem cá...
- Olha o jeito que você fala... Que você fala comigo...
- O que tem?
- É lindo. É tudo lindo. O jeito que você cruza as pernas, os pelos no seu braço... Todas as suas iniciativas. Você é espontânea. E eu me apaixono pelos detalhes... Jeitos de fechar os olhos num sorriso... Cabelos, ossos no quadril, olhos castanhos escuros, claros, azuis... É tudo muito lindo. Às vezes é só o que me faz sentido.
- Eu não gosto quando você fala de outras mulheres. Você fala...
- Demais! É o conceito. Eu to te dizendo...
- Você é uma gracinha.
- É... Você é linda.
- Vem cá.
- Não... Eu vou te jogar num labirinto...
- Então por que você me liga? Por que você insiste?
- É estranho... Eu te quero bem e, de um jeito puro, eu posso dizer que te amo. Mas eu aparentemente não penso num relacionamento homem-mulher. Sei lá o que eu quero... Admiração, colo, o seu amor... Eu não sei... Eu sou desprezível.
- Não é... Você é especial...
- Não estou cabendo em mim. Me mata. Isso aqui é um crime culposo.
- Por que você não relaxa simplesmente? Eu estou aproveitando... Eu não sou uma criança.
- Não é?
- Não... Você às vezes me trata como se eu fosse retardada. Vem cá, fica comigo...
- Ta vendo? É o conceito... O conceito...




þérolå - 9:19 PM Comments:





aula de educação com o... Rebelde Depressivo



Do desleixo à castração

Não foi essa a educação que sua mãe deu a você. Pelo menos é o que diz o cartaz da recente campanha contra o irresistível e saciável hábito masculino de urinar pelas ruas da cidade ante a indiferença do passeio público. Afinal abrir a braguilha num poste ou muro receptivo pode não ser lá um gesto tão encantador numa esfera supostamente guardiã da moral, dos bons costumes, e principalmente, da limpeza. Se até o século XIX era possível marcar um encontro na moita mais próxima depois de um zíper entreaberto e uma piscadela safada, no atual estado das coisas, a possibilidade no máximo se esfrega no corriqueiro sobrecarregado na apatia coletiva.

Órgãos são postos para fora e derramam o clássico e amarelo líquido assim como mendigos inertes lambem sua existência ressentida na beira do asfalto. A sujeira e o desleixo é que nos dão agora aquela piscadela safada - porém inútil ao nosso ego ou libido -, e não há nada de errado nisso. Ou melhor: nada de anormal, nada de ultrajante, nada que não tenha sido ensinado a nós - a fazer e a aceitar.

Mas varrer a sujeira para baixo do tapete é a tarefa sempre a ser feita e repetida. Muito embora as tentativas não zelem por um pingo de coerência, manchas são apagadas, fedores banidos, vidas desinfetadas e uma boa educação garantida. Resfolegantes na ampla conquista higiênica, nossos administradores públicos saltitam de alegria e desprezam de uma vez por todas os essenciais conceitos da singular psicologia de botequim.

Soa bonitinho falar em recolhimento dos moradores de rua, purificação dos becos fedorentos e, de quebra, noções de civilidade à população de malandros. Soa saudável livrar alguns homens da deterioração e o patrimônio da selvageria. E apenas soa, pois salvação nenhuma reside em tais atos canônicos.

Ora, não há dúvida de que a grande questão humana se refere a um heroísmo básico. Seja ele manifestado numa boca de fumo do Morro da Lagartixa, num esfarrapado grupo de sem-tetos, numa corja de patifes mijões ou mesmo no autor deste texto. Prive-os de suas atividades e está consumada uma das piores punições: a castração - termo do qual certamente nossos poderosos e eruditos nunca ouviram falar, e, se quisessem ouvir a respeito, não precisariam ir além da birosca do seu Joaquim.

É claro que um mijão não se torna herói da comunidade com seus esguichos descontrolados; é claro que um sem-teto não recebe medalhas por sua condição desafortunada; é claro que o autor deste texto não vence o Jabuti por seu suposto talento literário. Entretanto, imersos no desespero pós-moderno e na completa ausência de referências, o que lhes sobra são senão seus costumes primitivos: urinar como forma de marcar um território, vadiar com um bando de esfarrapados na tentativa de reconhecimento, e produzir textos como este na perspectiva de uma leitura alheia.

Não é à toa que mendigos relutem em ir para abrigos públicos e que mijões mantenham suas bexigas frouxas. A grande e incômoda questão que os civilizados (?) ainda não sacaram não é simplesmente livrar os bárbaros de sua ruína ou inferno urinário. Assim não é divertido, não é heróico - e a rebeldia dos selvagens prova isso. Não há razões para se orgulhar e não há razões para que mamãe se orgulhe de nós. E logo mamãe, aquela que nos ensinou tudinho.

Mas a campanha insiste que não foi essa a educação que sua mãe deu a você. Foi sim.

****

Como é bom estar de volta ao velho exercício da escrita (mesmo que ninguém venha a me ler e que isso não tenha o menor desdobramento social). Peço desculpas pela longa demora e sinta-se mais uma vez bem vindo, amigo leitor. Até breve (será mesmo?)

****

Para uma leitura mais profunda sobre o tema heroísmo, indica-se "A negação da morte", de Ernest Becker. Uma fantástica e relevante obra praticamente ignorada por nossa academia sabichona.



þérolå - 9:16 PM Comments:




falar de amor é com... Linda & Loura


Não falo do AMOR romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com AMOR. Chamam de AMOR esse querer escravo, e pensam que o AMOR é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o AMOR já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do AMOR é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O AMOR está em movimento eterno, em velocidade infinita. O AMOR é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do AMOR não nos domine?

Minha resposta? O AMOR é desconhecido.

Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o AMOR será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do AMOR é a de um ser em mutação. O AMOR quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do AMOR depende dessa interferência. A morte do AMOR é quando diante de seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início meio fim. Não, não podemos subestimar o AMOR. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O AMOR faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém nascidas. O AMOR brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza despedida, o AMOR grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do AMOR, se estivermos também a devorá-lo.

O Amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o AMOR a navega. Morrer de AMOR, a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no AMOR. E a língua do AMOR é a língua que eu falo e escuto. (Paulinho Moska)



þérolå - 9:14 PM Comments:






ménage com... Lex Lilith



O STRIPTEASE

Eu e minha mulher estamos nos separando. Quer dizer, estávamos: salvou-nos o striptease dela. Não foi pra mim. Foi pruns caras aí; mal sabem eles o bem que nos fizeram. Bom, de qualquer modo eles tiraram a casquinha deles.

Eu e ela tentamos viver juntos uns tempos, e não deu muito certo. Mas mudar depois de morar junto, e dizer "vamos continuar namorando", também não é fácil. Ficam, sei lá, umas ofensas, umas cobranças de quem foi o culpado de não ter dado certo, uma dificuldade em simplesmente zerar e seguir em frente.

Agora ela descolou um emprego e uma casa longe, em um município vizinho. Com a correria do final de ano (o trampo dela é numa loja de shopping), começamos a nos ver tipo uma vez por semana, o dia em que ela deixa o filho com a ex-sogra e vem dormir aqui em casa.

No domingo combinamos uma balada, ir à domingueira roqueira da Lôca, famosa pela pegação (hetero inclusive) e pelo clima, hum, de putaria. Já tivemos uma briga saindo de lá, porque a presença majoritariamente gay a deixa maluquinha, e ser o bedel da franga alheia é uma atividade estressante.

Assim que chegamos na casa, depois de uns drinques fortes, ela subiu em um palquinho, e começou a dançar, atraindo já alguns olhares.

- Sobe aqui também - ela me disse, e eu subi pro lado dela, começando a dançar bem preguiçosamente, ao contrário dela, que estava animada. Aí começou a tocar uma dos Cocteau Twins. Música quase gótica, etérea, de bruxinha light.

- Ahhhhhhhhhhhhhhh - ela disse, para o universo em expansão.

Um moço, dos que tinham já dado umas olhadas pra ela, negro, alto, magro, com cara de classe média-bem-média, encostou no palquinho, de costas, como quem não quer nada (bom, talvez ele nem quisesse mesmo). Daí a alguns instantes ela começou a dar umas longas roçadas de perna nas costas dele...

- Ei, não vai fazer nada que eu não consiga administrar... - eu disse pra ela, sobre a música alta, meio receoso do potencial da encrenca. - Eu já bati boca hoje na rua, vê lá hein...

- É só teatro - ela sentenciou.

Tão tá. Deixei rolar. Pra falar a verdade, ela já tinha se aproximado de duas meninas antes, uma punk lindinha toda de blusinha de renda arrastão, e uma peituda com shape de cantora de soul, pilotando um decote preto escandaloso. E tomou uma esnobadinha delas, que ficaram se agarrando pra ela ver, e depois sumiram.

No nosso contrato, "chegar em mulher sempre pode". Sempre pode, digo, pra ela... Já tentei uma cláusula recíproca, mas ainda não chegamos a um acordo porque eu acho que o arranjo simétrico seria "mulher pode" pra mim também, e ela acha que seria, pra mim!, "chegar em homem sempre pode"... Como não estou interessado na liberdade de apalpar um chouriço sempre que eu quiser, continuamos negociando esse ponto.

Mas eu fiquei aborrecido com a esnobadinha das meninas. Não tanto porque não ia sobrar algo daquela feminilidade toda pra mim - sempre uma possibilidade interessante -, mas porque eu gosto de ver a minha menina se sentir poderosa. Como ela, aliás, é.

Então liberei o negão. Quer dizer, me segurei um pouquinho, pra ver onde ia dar o tal "teatro". E então descobri que eu estava tranqüilo. E que, apesar da sensualidade que ela aflorava, continuando a atrair alguns olhares, não parecíamos estar em rota de colisão, nem entre nós, nem com nada.

Ok. Eu não tinha errado no prognóstico. Sempre de costas para ela, o negão levantou umas mãozinhas para acompanhar a música (na verdade eram umas mãozorras), e ela começou a passar as mãos nas mãos dele. Mas ele parecia estar encarando aquilo como uma espécie de coreografia mesmo. Fechava os olhos, e parecia tudo, menos o lobo mau prestes a se dar bem.

O ingrediente seguinte foi um outro cara que também pulou para cima do palquinho, e ficou dançando com ela. Eu de um lado, ele do outro, ela ondulando no meio, às vezes de costas para a patuléia, com as mãos na parede e a bundinha empinada; a imagem devia estar interessante. Aí fica um pouco obscuro para minha memória alcóolica - o que estava me dando tanta segurança? Onde foi o turning point?

Esse cara parecia mais impetuoso, mas ainda não era ameaçador. Chequei algumas possibilidades pessimistas: será que eu não gostava mais dela, por isso não estava nem aí?... Ou estaria descobrindo, assim de repente, uma vocação de corno manso? Não era isso. Era muito certo o que estava acontecendo.

E, de repente, foram várias coisas ao mesmo tempo. Ela arrancou a blusa, ficando só de sutiã (branco). Os caras já olhavam sem disfarçar - na verdade estavam uns três ou quatro, babando, bem embaixo dela. E o cara do outro lado do palquinho... estava tomando conta dela, que nem eu! Fazíamos um par de guardiões.

Dos caras de baixo, um fortinho, de cavanhaque e sem camisa, era o mais deslumbrado. E desnorteado também. Ele pediu para ela abaixar, e ela disse alguma coisa pra ele. Quando ela levantou, eu perguntei o que era. Ela disse: - Falei que vocês eram meus seguranças, pra ele não se exceder...

Aí ele me chamou também, e perguntou: - Na real, o que você é dela?

- Marido - gostei de como soou. Ele esbugalhou os olhos mais um pouco.

O fulano do outro lado também se aproximava de mim, por trás dela, e ficava dizendo, por cima da música: - Ela vai enlouquecer os caras! Olha o do cavanhaque! - Quer dizer, ele estava deixando implícito que ele mesmo não ia enlouquecer. Ok, guardião contratado. Nessa hora acho que estava tocando Liaisons Dangereuses, "Los Niños Del Parque", predileta minha. Só bons sinais.

Quando ela abriu o zíper e baixou a calça jeans até as coxas, mostrando a calcinha rendada pequeninha (branca), já tinha uns oito caras embaixo. O negão, tímido, tinha arregado, e estava só olhando de longe. Os novos caras arriscaram umas passadas de mão na barriga dela, subindo em direção aos peitos, mas sem agarrar nada.

O outro guardião chegou até a afastar uma ou duas mãos mais insistentes, mas eu estava só lá olhando, vendo ela virar a bundinha linda e rebolar bem na cara dos caras... O mais bizarro era o cara do cavanhaquinho, que beijava a minha mão e punha a minha mão nela... Como diz minha amiga Dani, homem é tudo paga-pau.

- Melhor subir a calça - eu disse pra ela, sempre numa boa -, que já já eles vão perder o controle...

- Vamos tomar uma cerveja - estava insistindo o guardião do outro lado. - Ele parecia concordar comigo que era hora de parar. Ou será que era ele que estava com ciúmes? Percebi que ele já estava se achando enturmado. Tudo bem, devíamos alguma atenção para um guardião assim dedicado.

Eu nunca tinha visto minha mulher com um sorriso tãããão exultante. Mas, por precaução, quando ela começou a baixar a calça de novo, eu disse: - Chega. Quem viu os pentelhinhos viu, quem passou a mão na bundinha passou. Já deu, né?

Ela fez que sim, sem insistir. O guardião, visivelmente aliviado, pulou do palquinho e foi abrindo caminho na direção do bar. Colei nela, e o cavanhaquinho colou em mim. - Quero fazer xixi - ela disse, e o guardião guinou para o banheiro.

Na fila do banheiro, finalmente olhamos uns para as caras dos outros sob a luz branca, sem o estrobo nem as manchas psicodélicas. Mas o cavanhaquinho continuava meio obcecado.

- Você canta, né? - ele me perguntou.

- Ué, até canto, mas como você sabe?

- Tenho a maior admiração por um tiozinho que tem uma mulher dessas. Só cantando. Eu estou tendo umas aulas de violão - ele fez, meio confuso. - Ela é a mulher da minha vida - acrescentou, - o que é que eu faço?

- Eu acho que é da minha vida - eu disse.

- E onde é eu vou para conhecer pessoas legais? - ele continuava esquisito.

Aí vagou um reservado no banheiro, e o guardião nos puxou, eu e ela, pra dentro, deixando o cavanhaquinho falando sozinho. Estava bem espremido lá. - Vamos cheirar - ele disse.

Ela olhou pra mim e fez baixinho: - Não quero.

O guardião estava revirando um bolsinho na perna da bermuda furiosamente. - Tenho certeza que estava aqui. - Virou o bolso no avesso, mas não estava. Ele saiu da cabininha, dizendo: - Já volto.

Ela aproveitou pra abaixar a calça e a calcinha, mijar se apoiando em mim, e perguntar: - E aí?

- Deixa rolar - eu disse -, nós vamos ter uso pra essa energia...

Na verdade o guardião parecia mais esperto do que os outros (tinha sabido se aproximar), e ao mesmo tempo menos esperto (naquele momento ele tinha a certeza de que estava no comando de alguma coisa - não estava -, e de que ia se dar bem - não ia).

Ela puxou a calça pra cima.

Bateram na porta. Era o guardião, com um saquinho instantâneo. Nunca vi nada tão expresso, deve ter demorado mais ou menos um minuto. O tempo de uma mijada dela. Começou a dividir o troço, sobre uma prateleirinha (supostamente) para colocar a bolsa em cima.

- Deixo uma linha pro cavanhaquinho? - ele perguntou.

- Deixa - eu disse.

- Não deixa - ela disse.

- Vou deixar - o guardião decidiu, - ele é bobo mas é gente.

Quando saímos, o cavanhaquinho continuava absurdamente tomando conta da porta do reservado minúsculo, com as costas nela, como um segurança.

- Entra aí, tem uma coisa pra ti - disse o ex-guardião para o cavanhaquinho, que olhou pra dentro e falou: - Oba. O ex-guardião partiu para a pista. Ainda dei uns passos na direção dele, mas a mão dela me segurou por trás. - Quero ir embora já - ela disse.

Demos meia volta. Paramos na porta, porque eu sabia que, ainda por cima, eu tinha dinheiro a menos do que a conta. Mas eu moro bem do lado da Lôca. O leão de chácara mandou: - Paga uma das comandas, sai e vai buscar o dinheiro; ela fica aqui com a outra comanda. - E, pra ela: - Pode voltar lá pra dentro.

Ela me olhou suplicante, mas esse era o melhor jeito mesmo. Saí, virei a esquina, subi pro meu apartamento, voltei em instantes com a grana, paguei a comanda e resgatei a mulher. Saímos os dois, e em mais um minuto estávamos em casa.

E eu a comi como se fosse um gang bang, o tesão de uns oito caras em um só...

*

Ela me ligou agora pouco, da loja, de lá do shopping no município vizinho.

- Foi bom anteontem, né? - eu disse.

- Meio estranho, mas foi...

- Eu gostei. Voltei a ter orgulho de você...

- Assim é fácil, né? Com um monte de cara babando em mim...

- Não é bem isso. Tipo, se você fosse stripper de verdade, eu não ia te namorar...

- ?

- O que eu acho sensacional é você num momento estar lá, rebolando a bunda à vontade na cara do povo, e uns minutos depois estar lá na portaria quase assustada, com aquela cara de menininha dizendo "não me deixe sozinha"...
- ...

- Quer dizer, sair e entrar desses estados, sem ter compromisso com nenhum. Assim não tem mesquinharia, rotina de casal que resista... Você sabe que isso não vai se repetir de novo, não exatamente desse jeito, não é?

- Sei.

- Então saiba que eu te amo.



þérolå - 9:12 PM Comments:


Terça-feira, Janeiro 06, 2004

natal da... Cristina Carriconde

Minha Mãe Noel

Aqui vai uma história verdadeira de Natal

Para uma adolescente gordinha não tinha pior programa que ir a costureira acompanhada pela mãe, que não gostava nem um pouco de ter uma filha acima do peso ideal. Programa de índio ainda não era uma gíria nessa época e eu chamava de sessão de tortura. Alfinete que fincava como se eu fosse um voodu. Medidas muito esquisitas e eu refletida no espelho muito diferente da pessoa que achava que era. Sempre tinha a tal da espera, porque outra vítima ainda estava sendo espetada antes que chegasse minha vez. Era um tempo que eu e a minha mãe gastávamos conversando com a simpática família da Gladys. Um dia
chegamos e quem atende a porta é o pai da torturadora. Um senhor que era um doce e que passava horas conversando sobre bichos comigo. Coisa muito mais interessante do que a roupa que no final eu ia detestar, ainda mais que ela só ficava pronta na próxima estação. Acho que gostávamos muito daquela família e por isso repetimos o programa por muitos anos, até que um dia emagreci e sumi. Tá certo que cheguei a visitar como amiga, até acompanhar a minha mãe que continuava cliente.

Volto ao senhor gentil. Aquele dia nem olhou para nós. Só abriu a porta, resmungou algumas coisas e desapareceu sem nos dar confiança. Não ia ter uma história nova para me contar. -Gladys, está acontecendo alguma coisa com teu pai?
-Não repara todo Natal é assim. Fica num mau humor porque brigou com o Papai Noel. Como a nossa cara devia representar muito bem o espanto, ela contou um pouco mais.
-O pai nunca ganhou nenhum presente de Natal e sempre sonhou em ter um trenzinho, não perdoa o Papai Noel até hoje. Velho ridículo!
Eu e a mãe não achamos.
- Por que vocês nunca deram um presente para ele?
-Decidiu assim. Já que o Papai Noel tinha esquecido dele, não queria os nossos.

Ficou uma explicação mais ou menos. Não convenceu a mim e muito menos a minha mãe. Achei que a história tinha terminado, que depois do Natal o seu Othelo voltaria a conversar comigo sobre passarinhos.

Um dia minha mãe chega em casa muito emocionada e diz:
-Cristina eu consegui!
Ouvi o relato até com certa vergonha, depois entendi o sentido da coisa.
- Fui até a Casa das Meias e pedi para conversar com o dono. Disse que ia contar uma história e que no final ele resolvesse o que ia fazer. Terminamos os dois chorando, ele pegou o maior trenzinho elétrico que tinha na loja, fez um pacote lindo, e me deu para levar para o seu Othelo.
-Mãe, porque que tu não comprou o trem? Que vergonha!
-Cristina tinha que ser um presente do Papai Noel, não entendes?

Minha mãe estava certa. A Casa das Meias apesar do nome, era uma das maiores lojas lá de Pelotas e tinha uma seção de brinquedos muito concorrida. Há muitos anos que o tal Papai Noel vinha era do comércio. O espírito natalino podia ser pago em até 4 vezes sem juros e sem entrada. Nada mais justo que cobrasse dele a dívida que tinha com o pai da costureira.

Adorei a minha mãe e fomos imediatamente entregar. Sabe que a costureira ficou comovida? Virou outra cúmplice no plano,
escondendo o pacote até o dia 25 de dezembro, jurando segredo eterno. Não lembro de nada que ganhei, só de ter acordado muito cedo. Eu e a mãe. Ela correu para o telefone e ouviu.
- O pai quase morreu.
Quase matamos o seu Othelo, com a visita do Papai Noel, 75 anos depois do pedido.
- Chorava, chorava agarrado ao pacote, não sei quantas vezes olhou para o cartão que vocês fizeram e assinaram Papai Noel. Tive que dar água com açúcar, mas nunca vi meu pai tão feliz. Nem precisei fazer o que tinha prometido. Ele não perguntou quem tinha mandado. Tem certeza que recebeu do Papai Noel. O pai tá caduco! Tá lá brincando.

Não lembro quanto tempo demorou até a outra sessão de tortura, mas seu Othelo estava sorrindo quando abriu a porta.

- Conta mais Gladys!
- Os guris já não aguentam o pai. Todas as noites, quando estamos deitados com as luzes apagadas, escutamos o barulho do trem. O pai se tranca no quarto e fica brincando até altas horas. Dá para ouvir as gargalhadas dele, não conseguimos dormir. Os guris estão cheios do avô. Ele tranca a porta com medo que um deles estrague o trem. Velho caduco!

Gladys nunca foi muito sensível, mas eu e a mãe não seguramos as lágrimas na saída.

Minha mãe tinha conseguido promover as pazes entre os dois velhinhos. Eu achei tudo poético. A casa mergulhada na escuridão. O som de um trem de corda, não importava que já fosse elétrico e as risadas de um senhor que tinha idade para ser o Papai Noel. Seu Othelo tinha reencontrado o menino que fora um dia e era com ele que brincava.

Não passa um Natal sem que eu lembre dele e a tal cena que transferi para a minha imaginação, volta com toda a poesia. Faz muito tempo que o contador de histórias de pássaros foi morar na casa do amigo com quem fez as pazes.

Minha mãe também tinha me dado um lindo presente. O melhor que recebi até hoje. Ela que foi uma menina muito pobre, que muitas vezes foi esquecida pelo velhinho da roupa vermelha, não tinha brigado com ele. Aprendeu que quando a gente pode fazer um milagre para outra pessoa, não deve pensar muito. Deve fazer o tal milagre o mais rápido possível. Uma lição que usamos todos os dias do ano. É o melhor presente que a gente pode se dar.

Eu estava pensando em contar esta história, enquanto caminhava pelas ruas de Copacabana e de repente dei de cara com um trenzinho, que um camelô vendia. Não era tão bonito como o que o Papai Noel deixou na árvore do seu Othelo, mas resolvi comprar. Não andei muito até ver um menino de rua. Desses que gente não sabe nem o nome e todos viram meninos. Parei rapidamente e entreguei o trem. Só usei poucas palavras.
-Papai Noel pediu que eu te entregasse!
Voltei para a casa, trazendo pela coleira o Murilo, que é o meu cachorro e que tem nome de gente. Com certeza leva uma vida melhor do que a do menino sem nome. Queria ter explicado tanta coisa para ele. Que não foi o Papai Noel, que o deixou esquecido na rua. Quem é responsável por ele estar lá, são pessoas que não aprenderam a lição da minha mãe. Que estão permitindo que ele cresça de mal com o mundo e nós temos que assumir parte da culpa por isso. São anos de dívida que temos para pagar. Muitos nos olham com cara de gente grande e nós com a cara de meninos acuados. É uma vergonha ter medo de criança. Peço sempre para o Papai Noel que me ajude a dar um nome de gente para cada um deles, que permita que sejam mesmo crianças e que cresçam com dignidade. Faço algumas coisas durante todo ano, para dar uma força para o velhinho, porque é um pedido e tanto.


Paz em 2003 e justiça social, antes que seja tarde de mais.
Quero crer que ainda dá tempo!



þérolå - 10:02 PM Comments:


Sexta-feira, Janeiro 02, 2004

balanço do... Jesus, me Chicoteia

2003 foi (tem sido) um ano bom. Posso reclamar não. Dá até vontade de passar o reveillon em Brasília de novo, uma superstiçãozinha de leve, só pra garantir que 2004 também seja legal. Infelizmente, não vai dar. Ano passado eu pelo menos tinha a desculpa da posse do Lula. Aproveitei a posse para rever velhos e novos amigos, além de conhecer muita gente legal. Quanto à posse, ficou com aquele gosto de anticlímax que a gente já esperava: o Lula foi um marlim que levamos tempo demais para pescar e, quando finalmente conseguimos, os tubarões comeram tudo. Chegando à praia, quase mortos de cansaço, tínhamos apenas os ossos para exibir (sim, até eu já li Hemingway).

Mas o que de bom aconteceu compensou em muito essa decepção (ao menos para mim). Foi o ano, por exemplo, da festa de aniversário do blog. Sucesso absoluto, quase duzentas pessoas compareceram, foi assunto pra mais de um mês. Até hoje não acredito que eu pude fazer algo tão bem sucedido. Eu! Pelamordedeus! Quero só ver como será a festa de dois anos.

Foi o ano em que Risadinha conheceu Ana, e Daniela, finalmente, encontrou deus. O ano em que Dave Matthews esbarrou com a filha do Silvio Santos. Em que Paulo Polzonoff virou homem e encarou uma mudança total em sua vida só pelo gosto de ficar ao lado de sua menina Paula. Em que Juliana Kataoka e Gabriel Lucca selaram os laços do sagrado matrimônio. Por falar em matrimônio, fui padrinho de casamento este ano. Não qualquer um, aliás: o casamento do Nazareno, que hoje está feliz e saltitante com sua senhôura. Com tanta coisa acontecendo, só mesmo dois songomongos feito eu e o Tonon para continuarmos encalhados. Coisa triste.

Viajei muito, voltei a Brasília ainda uma vez, fui várias vezes ao Rio e a Curitiba, tudo para ver os amigos. Conheci deus! O Polzonoff! O Rafael! Um monte de gente!

Minha irmã resolveu ter um filho, meu irmão resolveu criar juízo (o que vale é a intenção). Consegui me aproximar um pouquinho mais da minha família, o que sempre foi muito difícil para mim. Além disso, entrei em pelo menos três ambientes até então inimagináveis: a autoescola, o consultório do ortodontista e a academia. É quase nada, eu sei, mas para alguém com a fobia de mudanças que eu tenho, porra!, foi um grande passo.

Fiz vários novos amigos, fortaleci os laços com os velhos amigos, conheci mulheres interessantíssimas, me apaixonei, escrevi coisinhas bonitinhas. Concluí a sátira de quatro livros da Bíblia, pavimentando assim o meu caminho para a danação eterna, ou para o cargo de bobo da côrte de Deus, sei lá, cada um fala uma coisa, confusão arretada. Chicote Verbal e Emotionrélio morreram e ressuscitaram algumas vezes. O Balde de Gelo parece parado, mas não se enganem: eu e Daniela teremos novidades para vocês no próximo ano.

Enfim, foi um ano bom. Muito bom. Espero que 2004 seja melhor ainda, mas duvido muito. Porque, vejam, 2003 foi o ano em que eu conheci a Fer, e aí tudo fez sentido de repente. Taí um acontecimento insuperável. A não ser que... Nah, deixa pra lá. Como bem me ensinou o sábio Ruy Goiaba, Speak low if you speak "happiness".


Espero que 2003 tenha sido um bom ano para vocês também. Se não foi, paciência: que 2004 o seja. Feliz ano novo, cambada de feladaputa.




þérolå - 2:04 AM Comments:





bebemoração do... Querido Leitor,


Ano novo!
Normalmente eu não bebo. Mas hoje, excepcionalmente, hic, decidi não ser normal. Bebi prosecco por influência do livro que estou lendo. Depois, fui colecionando superstipões aqui e ali. Pular sete ondas, chupar doze uvas para adoçar os doze meses do ano, comer lentinhas para trazer dinheiro e carne de cabrito para fazer o ano andar.
Compilei tudo e hic, tomei um pouco de champange.
Fui para a praia. Hic. Tomei mais champagne.
E aí, começou. Pulei sete uvas. Chupei doze ondas. Depois, fui correndo procurar o cabrito para dar lentilha pra ele poder andar.
Hic.
Deu tudo certo no fim.
O pavê estava delicioso.
Mas como ainda era uma espécie de hoje, não contou para a dieta do ano novo de 2004.
Escrevi a meta na agenda, no primeiro dia do ano, válido pra todos os 365 dias vindouros:
- engordar a conta bancária e emagrecer o corpo.
Feliz ano novo!



þérolå - 2:02 AM Comments:




balanço do... Maré

2003 - um ano diferente

Este ano foi um ano completamente atípico em minha vida, do começo ao fim. Muitas coisas aconteceram, boas e ruins.
Logo no início do ano, passei por duas cirurgias, uma para tirar um câncer de pele de meu rosto e outra, mês e meio depois, para colocar uma placa de platina em minha perna, que quebrou depois de um tombo de minha cadeira de rodas. A fratura na perna me fez perder, temporariamente, grande parte de minha independência, tendo que recorrer a outros para fazer coisas que sempre fiz sozinha. Foi um dos períodos mais difíceis que já passei, mas me ensinou a compreender melhor aqueles que, diferentemente de mim, tornam-se portadores de deficiência física depois de adultos e o quanto é complicada essa adaptação. Foi uma grande lição.
Depois desse começo conturbado, desencanei daquela história de ficar em pé e também de fazer acompanhamento na AACD, resolvendo que quando puder comprar uma cadeira verticalizável voltarei a fazer os exames necessários. Não desisti de me cuidar, mas vou me cuidar com médicos que já são próximos a mim e que não dêem tanta canseira numa simples consulta. A AACD é ótima, mas lá tudo é muito complicado, só se consegue consultas com intervalos de, no mínimo, dois meses e, no dia da consulta, perde-se o dia todo. Então, vou me cuidar por outros caminhos.
Nesse ano, minha avó querida se despediu da família e, finalmente, descansou, nos deixando meio órfãos.
Foi nesse ano que defini o papel de meu blog, escrevendo sobre deficiência física com o propósito de informar e dando ao Maré características próprias, que o diferenciaram de outros.
Meus posts transformaram-se em artigos da SACI, renderam-me três entrevistas: para O Globo, para o Jornal da Tarde e para a Revista Sentidos. Também na Revista Sentidos foi publicada uma matéria baseada num texto meu, cujo conteúdo, sobre um comercial preconceituoso, espalhou-se de forma espantosa via e-mail, chegando a entidades de defesa de direitos de grande expressão, levando muita gente a discutir o tema e tirando o comercial do ar. Eu, que dizia que o Maré era um simples blog, espantei-me com a força que um texto pode ter quando o mesmo tem um objetivo sério.
Escrever trouxe-me muitos presentes bons: amigos feitos através do blog; amigos feitos a partir dos posts-artigos espalhados por sites sobre deficiência; Maré - o livro (quase pronto); as Reinações de Ricardinho (título dado pelo fantásticoNelson) ; compartilhar momentos de alegrias e tristezas; companheirismo.
Nunca pensei que um dia deixaria minha vida tão exposta como faço aqui. Tornei minha família pública e, como disse a Val, ela passou a ser de todos que nos acompanham pela telinha, de todos que junto conosco se alegram, se entristecem, torcem, apoiam e se divertem com as reinações do filhote.
Na vida familiar, também, mudanças aconteceram. Benê, que trabalha há 20 anos na PUC, decidiu tentar algo novo e prestou o concurso para auditor fiscal da receita federal. Não passou, mas não desistiu, no próximo tentará novamente.
O Natal desse ano também foi diferente e especial, pois, pela primeira vez, minha mãe não esteve conosco, passou em outro lugar. Mas, nós, os irmãos, apesar e, talvez, principalmente por isso estivemos todos juntos, rezando, festejando e reforçando a união de nossa família. Foi tão especial que a festa continuou no dia seguinte, com muita cantoria e risadas em volta de um videokê, enquanto nossos pequenos brincavam todos juntos.
2003 foi mesmo um ano diferente e a grande maioria das coisas boas que me aconteceram foi porque tenho um blog e amigos que fazem muito mais que só me ler.
Planos para 2004? Tenho alguns, embora não seja de fazer planos, mas entre as prioridades está continuar a escrever e tornar ainda mais fortes as amizades que nascem nessa nossa Net mágica.
A todos, um ótimo 2004, com muitas realizações, superações e conquistas!!



þérolå - 2:00 AM Comments:




cartinha do... Shinning Star

Carta ao Papai Noel

Querido Papai Noel,
O presente que tenho pra pedir é um 2004 diferente. Quero amigos novos. Não que os que eu tenha tenham que ir embora, lógico que não. Esses, que são em quantidade tão pequena que posso contar nos dedos de uma só mão, quero que permaneçam sempre. Mas quero pessoas novas, gente pra conversar, sair quando eu esteja precisando simplesmente sair de casa acompanhada e falar bobagem, amigo pra me emprestar o ombro, a mão e o que mais for necessário quando eu quiser só chorar [E os amigos que eu já tenho entendem porque eu to falando isso, não entendem?]. Quero todo o lixo no lixo. Deixar todo o passado pra trás, todos os ex que perturbam a calmaria, todos os 'amigos' que não servem nem pra... é, isso aí mesmo, tudo e todos que possam trazer qualquer tipo de aborrecimento. Quero uma vida mais tranquila. Menos discussões em casa, menos tormentos no dia a dia, menos correria na faculdade, menos 'minhocas' na minha cabeça confusa. Aliás, ponto importante: Quero algumas cabeças novas: Uma menos confusa pra mim. Uma menos estranha pro meu pai. Umas 3 ou 4 com senso de ridículo e outras 4 ou 5 com um pouco mais de dignidade, pra que eu possa distribuir por aí.
Quero cantos novos pra 'comer quieta', porque do jeito que eu ando as opções já estão se esgotando. Quero bocas novas pra beijar, mas ao mesmo tempo não faço questão de abandonar as antigas por completo. Quero muita farra. Quero músicas novas pra marcar momentos novos. Quero cheiros diferentes pra sentir e parar de pensar um instante. Quero novos sorrisos, outras lágrimas e mais gargalhadas. Quero mais carinho, mais atenção, mais colo. Quero menos briga, menos falsidade(por favor, minha cota esse ano já supriu a necessidade vital de um ser humano.) e mais amizade. Quero meus amigos velhos de volta. Quero um novo anjo, porque o antigo me esqueceu. Quero pular o dia do meu aniversário, porque vou fazer 20 anos e isso não é muito bacana. Quero muita disposição pra estudar e deixar muito homem babando porque eu vou ser uma melhor engenheira do que eles.
Quero novas ambições, novos desafios. Quero correr todo dia no parque. Quero uma barriga nova, um par de pernas mais bonitas, um cabelo diferente, unhas (re)feitas [porque antigamente minhas unhas eram impecáveis.]. Quero voltar a ser eu, mas sem deixar de ser eu. Quero me acostumar com o presente novo, sem deixar o passado trazer tantas lembranças. Quero acordar com vontade de acordar, quero ter dias mais bonitos, com mais arco-íris. Quero também que satisfaça os pedidos dos meus amigos, porque tem muitos que estão realmente precisando do que estão pedindo.
Por fim, quero um som pro meu carro, um novo estoque pro meu guarda roupa, uma câmera digital, umas duas semanas de diária no Spa que eu fui ano passado[essa tentação vai me matar...], e quem sabe um novo computador, pode até ser um notebook.
E, se não for pedir demais, continuo querendo um vaga-lume.



þérolå - 1:58 AM Comments:





balanço do... Sagan Station


Balanço de fim de ano

Em mais de um aspecto, 2003 tem sido um ano seminal na minha vida; simbolicamente, a entrada na quadragésima década, mas muito mais que isso.

Possivelmente nenhum outro ano trouxe tantas mudanças no dia a dia e no longo prazo. Em tudo, minha vida melhorou.

Afastei-me de teias de aranha amorosas e me envolvi num relacionamento de verdade, carinhoso, cúmplice e parceiro, com uma mulher extraordinária, que me torna um pouco melhor a cada dia.

Saí da casa dos pais. Busquei, montei e deitei num canto meu, minha cara, meus horários, meus gestos e manias. Partilhado, mas ainda assim, pessoal. E régio.

Comecei a limpeza mental, abri baús de guardados, revirei as razões que fazem de mim o homem que sou: criei coragem e busquei a terapia, marco maior.

Mantive a regularidade na atividade física. Tive uns trambolhões no finalzinho do ano, é verdade... mas saí da senóide de "picos de atividade e vales de encostadez" que por tanto tempo me deixou sanfona, enrijece-empalidece-engorda-corre atrás do prejuízo. Agora é viver bem, com manutenção.

Li muito, substituí a ficção pelos ensaios, construo uma base de raciocínio para entender melhor o mundo.

Me diverti. Joguei até cair. Vi mais filmes do que em qualquer outro ano, apoiado pela cinefilia da namorada.

Sobretudo, curti a vida e experimentei paz. É bom.

Quero mais disso em 2004.

E espero que todos sejam felizes no ano que entra.



þérolå - 1:56 AM Comments:




retrospectiva do... Pensar enlouquece. Pense nisso

2003

Duplo twist carpado. Lula tomou posse. Romário bateu no torcedor. Belo, que coisa feia. Você participou de uma flash mob? Mataram Marcinho VP. Tô nem aí, tô nem aí. O Papa não morreu. Haroldo de Campos desnasceu. Espetáculo do crescimento? A pomada de Maurren Maggi. Saddam Hussein saiu do buraco. Freedom fries. Schwarzenegger governador da Califórnia. O Brasil conheceu Sérgio Vieira de Mello. A Columbia explodiu. Terremoto no Irã. Preta Gil ficou pelada. Dóris maltratava os avós. Crazy in Love. Meligeni ganhou a medalha de ouro. Michael Jackson foi algemado. Silvio Santos não morreu, Roberto Marinho sim. Hebe Camargo mataria Champinha. A Sars assustou o mundo. Jogaram uma galinha preta na Martaxa. Jayson Blair inventava notícias. Rodrigo Santoro entrou mudo, saiu calado. Quer pagar quanto? Marc-Vivien Foe morreu no meio do jogo. Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Alexandre Pires chorou na Casa Branca. Ali Ismael Abbas perdeu o pai, a mãe, o irmão e os dois braços. Al-Sahaf, Ministro da Desinformação. Farah Jorge Farah esquartejou a amante. O resgate de Jessica Lynch foi forjado. Maria Rita foi hypada. Luana Piovani fuma e traga. Paris Hilton, musa pornô da Web. Celulares também servem pra telefonar? Michael Moore ganhou o Oscar. Explosão na Base de Alcântara. Tríplice coroa para o Cruzeiro. Experimenta, experimenta! Descobriram o THG. Morreu o chinês espancado na cadeia. Egüinha Pocotó. David Kelly foi suicidado? Operação Anaconda. 130 mil desempregados queriam ser garis. Os juros vão baixar? Ricardo Berzoini não gosta de velhinhos. Palmeiras e Botafogo não viraram a mesa. Maluf foi detido em Paris. Benedita da Silva viajou para a Argentina. Júnior amarelou no Corinthians. Britney e Madonna se beijaram, Clara e Rafaela também. Dhomini ganhou o Big Brother. Schumacher hexacampeão. Justin Timberlake popstar. Chineses vão ao espaço. O alemão comeu literalmente seu amigo da Net. O domingo ilegal do Gugu. A onda dos fotologs. João Gordo brigou com Dado Dolabella. Luciana Vendramini voltou. Heloisa Helena foi expulsa do PT. Gabeira sonhou errado? ACM grampeou o telefone da ex-namorada. Morreu Rolando Lero. Faltou luz em Florianópolis. O presidente da Bolívia renunciou. Ronaldo se separou da Milene. Onde estavam as armas de destruição em massa? Bush Jr. trouxe peru no Dia de Ação de Graças. A Parmalat faliu. William Bonner chorou no Jornal Nacional. Johnny Cash, the man comes around. Gabriela, sou da Paz.



þérolå - 1:54 AM Comments:




desejos do... Pão na Chapa

[ the last one ]

Fala a verdade.
Penúltimo dia do ano não é uma merda? Eu acho. Principalmente se eu estiver trabalhando.
E ficar pensando em tudo que vc. desejou no dia 31 de dezembro do ano passado e que não se concretizaram nesse ano não é deprimente? (É, é sim, não me contrarie).
No auge do ócio que me domina, antecipei minha depressão de ano novo para hoje, dia 30, assim amanhã na hora da virada já me libertei de todos aqueles pensamentos deprimentes sobre o que foi e o que será.

O que você desejou no reveillon do ano passado?
E o que você vai desejar amanhã?

Bom, eu cansei de pedir coisas impossíveis como ganhar sozinha na megasena acumulada, dar umazinha com o George Clooney, arrumar um emprego de vice presidente em uma multinacional francesa. Ultimamente meus pedidos são bem mais modestos e mesmo assim nem todos são realizados. Culpa minha em grande parte e uma mãozinha do destino traiçoeiro (bonito isso, parece título de música sertaneja) que sempre dá uma rasteirinha pra você não chegar exatamente onde queria.

Então amanhã não seria nada mau passar a virada completamente bêbada, sem pensar em nada, sem fazer planos nem se martirizar pelo que não fez, sem pedir nada e, de preferência, bem longe dos fogos porque a mistura pessoa completamente bêbada + fogos definitivamente não é das mais seguras.

Vai, vá lá....
Que venha logo esse 2004...
Ninguém aguenta mais 2003, ano de guerra, de muiiiiita faucatrua, robalheira, de Martaxa, de Lulinha Peace & Love, de miséria por todo lado. Daqui dois dias nada estará completamente diferente do que é hoje. A mudança acontece mesmo é dentro da gente. Por algum motivo estúpido e idiota a gente se enche de esperança e, com a ajuda do calendário, encontra uma forcinha extra, uma ajuda, uma revigorada pra enfrentar os próximos 365 dias, que no próximo ano inclusive serão 366, um a mais.

E dai-me forças...
Lá vamos nós de novo.

Feliz Ano Novo !!!
Que você tenha paz, saúde, dinheiro e... uma paixão arrebatadora, daquelas de fazer virar os olhos, flutuar e ficar com as pernas bambas.
Isso sim que é bão ;-)

Feliz tudo pra você!



þérolå - 1:53 AM Comments:





reveillón do... Pão de Queijo


Braços abertos

Estou indo para a cidade de São Francisco de Itabapoana, norte do Rio de Janeiro, na próxima terça-feira, dia 30 de dezembro. Portanto, caríssimos leitores, vocês ficarão sem notícias minhas até o próximo dia 4 de janeiro de 2004. Em Cabo Frio, no reveillon passado, cercada por pessoas muito queridas, prometi a mim que não passaria nenhuma virada de ano em Belo Horizonte. Assistir ao show de fogos da Pampulha, então, seria um retrocesso absurdo e uma imperdoável quebra de promessa. Portanto, lá vou eu ver o mar e pular as sete ondas no primeiro minuto do ano. O medo, a insegurança e o desânimo que me assolam nesses últimos dias serão enterrados sem pompas e circunstâncias. No lugar, reencontrarei a minha confiança e a minha coragem de sempre. E elas que sempre andaram ao meu lado serão indispensáveis nas próximas caminhadas, batalhas e desafios. A atividade profissional terá um lugar maior de destaque. Na verdade, é a atividade que eu desejo para mim. Escrever. De tudo um pouco, se a criatividade me permitir. As qualidades paradoxais, como diria Sérgio Porto, serão controladas. A boêmia que adora ficar em casa, a irreverente que revê o que escreve - faço isso com o meu livro há mais de oito meses - e a humorista a sério serão reavaliadas. E eu há de chegar num consenso. Noutro campo, já me decidi. Vou aprender a cozinhar. Sou humilde. Começo com o arroz e o feijão e talvez daqui há alguns anos - pois sou realista - possa convidar a todos para um jantarzinho, no qual, pratos como "Penne com funghi e camarão", "Nhoque de ricota sobre 'cama' de cogumelos", e "Bacalhau à Lagrareira" sejam os grandes protagonistas da noite. O perfeccionismo - o inconseqüente - e as supertições inconfessas serão postos pra fora. O cinema continuará em alta. As aulas de inglês serão retomadas. A leitura do jornal diário - que já lhes digo nunca foi um prazer, mas uma necessidade - será mantida. Sobre os livros, ah, minha grande paixão, jamais perderão a majestade. Chegarão outras centenas na estante. Todos com a maior vontade de serem devorados. Verei o que é possível. Por outro lado, as tentações irresistíveis continuarão secretas. Ademais, acho que me caso na próxima estação. E com um sorriso bem grande e com uma vontade gigantesca de viver... vou seguindo a trilha. Pode vir, 2004. Meus braços estão abertos como o do Cristo Redentor.



þérolå - 1:50 AM Comments:




desejos do... No me digas tonterias, mujer!

E até o ano que vem!!!!!!

Ja sabem, né?

A meia-noite (todos de branco), pulem 7 ondas, ofereçam flores para Iemanja, comam 12 uvas verdes ou caroços de romãs, pulem no pé direito para algo mais alto, beijem quem vocês amam, abracem muito e dividam essa energia toda.

2004 vai ser do cacete, vai ser maravilhoso, vai ser inesquecivel, basta querer. Acreditar. Fazer por onde. Lutar.

Estou confiante, agora. Se Deus é por mim, quem sera contra mim? Queremos e merecemos todas as coisas boas que podem nos acontecer em 2004. Sejamos honestos e coerentes e lutemos com sinceridade e amor por tudo o que acreditamos.

Vistam roupas brancas novas, detalhes de outras cores (laranja - energia, amarelo - dinheiro, rosa - amor, vermelho - paixao, azul - tranquilidade, verde - esperança) se for o caso, mesmo que se ache bobagem racionalmente, mesmo que seja so superstição. Que mal ha em acreditar, por uma noite?

Amanhã, primeiro dia do ano, façam tudo o que gostam e façam direito - o ano inteiro depende de como se entra neste primeiro dia. Confiante, com o pé direito, fazendo boas coisas.

Celebremos a vida, a amizade, o amor e todas essas coisas maravilhosas.

E vou parando por aqui que ja estou piegas demais e nem comecei ainda a beber o champagne. Acuda, meu rei!

Até 2004 - desde ja eleito "o ano fuderoso" !!!!



þérolå - 1:48 AM Comments:




retrospectiva do... Fichário Virtual

Retrospectiva 2003

Esse lance de ficar lembrando tudo que aconteceu, às vezes é um saco. Mas o que eu poderia contar pra vocês? Poderia contar que eu aprendi que sei amar, e muito e que sou uma boa amante, e que ser amada, é tudo de bom, receber beijo cheio de carinho, ganhar um cafuné gostoso.
Posso contar que esse ano eu fiz muitas escolhas, mas o que a vida mais me surpreendeu foi uma mudança da minha vida que nao foi eu que escolhi. Pela primeira vez, me vi desesperada em apenas aceitar o que me era imposto. Justo eu, com meu gênio forte e minha dificuldade de submissão, tive que simplesmente aceitar.
Entendi que amizade verdadeira nao morre. Pode passar um trem em cima, ela permanece ali, intacta, pq nós a queremos assim, nós fazemos nossos amigos, nós os cativamos.
Também vi, que há muita gente falsa por aí, que aproveita dos outros. Também vi, que há muita gente precisando de ajuda, e outras nem tanto, e outras muito mais corajosas do que imaginava. Também vi que ha muito mais pessoas pra eu admirar, há muito mais alvos pra seguir. Conheci muito mais gente do que imagina, do que conseguiria, e viva o mundo virtual!!! E o real também! Amizade é tudo, e agradeço à Deus por todo mundo que conheci.
Apaixonei e desapaixonei pelo meu trabalho, mas já estou apaixonada de novo. Ele me faz sentir viva, e como!
Falando em viver. Adorei viver, apesar de momentos me dizer que vida fdp, mas entendi que tudo está no caminho, que Deus cuida de mim, mesmo qdo coloco a mão na cintura, bato pezinho e faço cara feia pra Ele. Ele ri e continua me carregando no colo. E eu quero viver! E viver... mais e mais!



þérolå - 1:46 AM Comments:




balanço do... 100 sal mas com algum tempero

Um Ano Novo...
Eu sei, é uma bobagem, a gente lista resoluções de ano novo, deseja que as coisas sejam melhores no ano novo, como se fosse mágica, como se fosse um degrau.

Mas quando chega a hora, aquelas últimas horas de um ano já puído, cheio de lembranças - e as ruins sempre aparecem mais que as boas, como alunos capetas na escola que os professores lembram do nome mesmo que se passem 50 anos! - a gente acaba entrando no clima e desejando, para si e para quem se gosta, que o ano novo seja mesmo um degrau, um passinho acima, um tempo melhor.

Então, fica combinado assim: eu desejo que você tenha um ano novo muito, muito bom, cheio de momentos felizes e sonhos realizados, mesmo sabendo que é tudo uma bobagem. Que 2004 seja um escândalo de ótimo!



þérolå - 1:43 AM Comments:




balanço do... Placebos


[o invevitável balanço do ano]

ano que começou como todos, a contra gosto. nunca gostei dessas festas e não sei se um dia chegarei a gostar.
ano de encontros e despedidas. reencontros e despedidas. fui Rapunzel, Cinderela, Cachinhos. me vi em Virginia Woolf de Michael Cunningham - em seu conflito interno desesperador, em Julia Russel ou Bonny Castle - boa e má, doce e amarga, e em muitas outras.
ano de escolhas... certas e erradas, algumas escolhas de sucesso, outras nem tanto. perdas por escolhas erradas, perdas por escolhas certas, despedidas.
ano de surpresas e mais surpresas. encontros. discussões. lágrimas. dor. esperança. persistência. luta.
ano em que fui egoísta demais, egocêntrica.
ano de finais, conclusões. de grandes acontecimentos, impossível numerar todos.
ano de novos começos. descoberta de novas sensações - o doce, texturas - o áspero, de outras vidas, de outras noites.
ano em que a promessa da primeira noite parece ter sido cumprida. o único desejo parece ter sido atendido.
ano de mudanças.

give me strength, reserve control,
give me heart and give me soul,
wounds that heal and cracks that fix,
tell me your own politik
open up your eyes,
just open up your eyes
and give me love over this

[ao som de Politik - Coldplay]



þérolå - 1:41 AM Comments:





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