Copie Et Après - COM FIGURINHAS


Quarta-feira, Março 31, 2004


Os vampiros ninjas do Sumaré

Não adianta eu me esconder; o surreal me persegue. Passo o sábado em casa assistindo filmes, só para não ver a cara do sol; deixo de ver pessoas para não causar maiores estragos; acabo precisando sair de madrugada para comprar lâmpadas, porque a do quarto da frente decidiu brincar de poltergeist e, quando eu volto pra casa, o maior rebu no meio da rua.
Uma viatura da polícia estava parada em frente a nossa garagem. Maridon estacionou o carro na esquina e caminhamos em direção aos oficiais. Na hora, ficamos preocupados. Alguns insones e o chefe dos escoteiros do segundo andar do prédio da frente, conversavam com o policial. O problema parecia ser a nossa casa, mas não havia nenhum sinal de arrombamento ou anormalidade que justificasse a presença daquelas pessoas, às cinco da manhã, nos pés da nossa janela.
Agora, pensando bem, só podia mesmo ser coisa do escoteiro. Imagina se a magrela da ópera, a velhinha dos pombos, o flautista bonitão ou o louquinho albino teriam tanta imaginação? De jeito nenhum.
Antes eu fosse mais sociável e conversasse com os vizinhos. Assim, certamente, eles deixariam de olhar pra mim com um milhão de interrogações no meio da testa. Mas não... Eu tenho que me divertir com o grau de bisbilhotice deles. O assistente do mecânico que não retribui cumprimentos, foi o único que conseguiu, em cinco anos, quebrar o silêncio. Há alguns meses deixei o carro pra consertar e ele, xereta, perguntou:

- O que tem nessas caixas de jogo do eu que vocês carregam pra cima e pra baixo?
- São mensagens de extra-terrestres que tentam convencer seres humanos a virarem unicórnios depois da morte. Mas se te perguntarem, diz que é um livro interativo porque isto faz ele vender mais.
- Anh?
- Chavara curiosidade dunata mata. Entende? É muito legal.

Segurei o riso enquanto fingia pressa e naturalidade...

- Você e seu marido não trabalham com computador?
- Sim. E fazemos despachos eventualmente. Mas eu só atendo de madrugada. Somos descendentes de uma família de vampiros ninjas do começo do século vinte.

Achei que o papo dos vampiros não passaria batido. As palavras precisam ser ditas rapidamente para que confundam. Mas ele nem riu. Me olhou boquiaberto e com olhar de espanto e continuou:

- O quê?
- Zafimeiros, zácoros da piripirioca adornada. Conhece?
- Anh?
- Moniccelli, meu caro amigo. Brinde! Quanto ficará o conserto?
- Cinqüenta reais.
- Beleza. Seja zaranoto levy fidelix obelix. Boa tarde para o senhor também.

Deve ter sido o suficiente para o sujeito espalhar para a vizinhança que nós éramos realmente bizarros. Gente que mal sai de dia, trabalha em casa sabe lá deus com o quê e os dois com essas olheiras... Vampiros ninjas na cabeça! Se é que este é um cruzamento possível.
Mas eu jurava que o escoteiro era um sujeito diferente. Ele não parecia dado a fofocas e curiosidades. E, talvez, não seja mesmo. Mas, pelo visto, leva os ensinamentos de Baden Powell a sério demais. Tanto é que, quando eu e maridon vimos ele conversando com os policiais e olhando na direção da nossa janela, nos aproximamos deles e perguntamos:

- Algum problema?

O escoteiro respondeu sem olhar para nós...

- A lâmpada. A lâmpada esta piscando há horas. Alguém lá dentro está precisando de ajuda e...

Foi quando ele virou o corpo para nos dar detalhes e nos reconheceu...

- Vocês!

Saltou de susto, o lelé da cuca. Como pôde ser tão mané? Ficou lá com aquela cara de patso, na maior saia justa. Um dos policiais ficou indignado quando soube que nós éramos os moradores da casa e só tínhamos saído há algumas horas para comprar lâmpadas.

- Mas vocês saem e deixam a lâmpada piscando?
- Era pra parecer uma árvore de natal e não um pedido de socorro em código morse.
- E espantar os ladrões! Não atrair a policia.
- Árvore de natal? Estamos no fim de março!

Ao ouvir o questionamento do escoteiro se metendo na nossa conversa com o policial, não resisti...

- É que nós somos vampiros ninjas e comemoramos o Natal em...
- Alê, melhor não, melhor não...

Maridon tinha razão. Uma coisa é sacanear a vizinhança, outra seria perder a credibilidade com os policiais da região. Que pena... Meu humor quase voltou ao normal.



þérolå - 11:46 PM Comments:


Quarta-feira, Março 24, 2004

troca de cardápio da... Alê Félix.


  Abanana





- Recebi uma intimação para desistir em quinze dias do domínio www.amarulacomsucrilhos.com.br

- Por quê?

- Segundo os advogados que assinaram a intimação, porque eu estou fazendo "concorrência parasitária" com a empresa detentora do nome Amarula.

- Mas o que é Amarula afinal?

- Amarula é o nome de um licor de marula. Marula é uma fruta africana. Seria o mesmo que alguém fazer um licor de banana e registrar a marca Abanana.

- Mas a marca é deles?

- Sim. Mas os caras acham que eu estou tirando proveito do renome da bebida. Se eu estivesse vendendo Baily's, licor de banana ainda vá lá. Eu não faço nada disso. Eu não vendo nada. Isso é só um blog. Ou era pra ser... Porque, de verdade, eu não sei mais o que está acontecendo por aqui.

- Como assim?

- Eu não entendo o porquê de uma série de coisas. Não entendo, por exemplo, porque na carta eles dizem que eu tenho quinze dias pra resolver isso amigavelmente, mas preciso cancelar imediatamente o redirecionamento www.amarulacomsucrilhos.blogger.com.br. Se eles sabem tão bem como funciona o sistema de blogs e redirecionamentos, por que pediram pra eu cancelar imediatamente só o do Blogger?

- De novo essa história do Blogger?

- Não sei. Não acho nada, porque não tenho como provar nada; mas eu nunca poderia imaginar que advogados se importassem mais com um redirecionamento de um sub-domínio do que com um domínio próprio. Sem contar que existem vários blogs com o nome Amarula e duvido que alguém foi intimado por causa de uma bobagem com esta. O fabricante é da Africa do Sul, os donos nem devem saber o que é um blog. Eu sei é que eu estou de saco cheio disso tudo. Primeiro, toda a saga Blogger, depois os DNSs do meu servidor que aparentemente foram bloqueados por alguns provedores nacionais e agora essa. Dá vontade de sair gritando: Isso é só um blog! Isso é só um blog! Isso é só um blog! E só escrevo bobagens, histórias, memórias...

- Nem sempre.

- Quase sempre.

- Mas será mesmo que você precisa abrir mão deste nome?

- Não sei, bem ou mal a marca é deles. Mas não quero mais saber deste domínio. Só acho curioso o fato disto acontecer bem depois que eu escrevi dizendo que a única coisa que nós temos quando escrevemos um blog é a URL e o conteúdo...

- E se isto aqui fosse um livro? O título do livro não poderia se chamar Amarula com Sucrilhos? E o velho papo sobre liberdade de expressão?

- Deixa de existir a partir do momento que alguém fala sobre uma marca registrada.

- Se eu fosse você, procuraria saber o que aconteceu com a Janis Joplin quando ela gravou Mercedes-Benz, com o Legião Urbana quando gravou Geração Coca-Cola, com o Almir Rogério quando gravou Fuscão Preto, com o Roberto Drummond quando escreveu Sangue de Coca-Cola...

- Bom, dane-se. Só acho que por medo de perder dinheiro, ou na tentativa de proteger a imagem, algumas empresas acabam conseguindo a antipatia das pessoas. É brigar por muito pouco. Mas que seja, agora eu tenho o melhor e maior domínio da internet: www.LicorDeMarulaComFlocosDeMilhoAcucarados.NET

- Ou www.AleFelix.com.br

- Ah, é! Mas os dois caem no mesmo lugar.






þérolå - 12:28 AM Comments:




brinde de licor, mas... Pensar enlouquece. Pense nisso.

Bruxas soltas na blogosfera



Depois de todo o imbróglio envolvendo o fechamento paulatino do Blogger Brasil a não-assinantes da Globo.com (ainda sobre o assunto, confiram esta matéria de Rodney Brocanelli) e a tentativa de cerceamento do conteúdo do blog de Cris Dias, dois novos episódios mostram que a liberdade de expressão exercida pela blogosfera tupiniquim começa a incomodar muita, muita gente.



Clique aqui para ler o relato do fim do A Marula com Sucrilhos.Alessandra Félix, do Amarula com Sucrilhos, recebeu semana passada uma singela notificação dos advogados da empresa que fabrica o tal licor do título de seu blog, intimando-a a retirar do ar seu domínio sob a alegação de que o registro do mesmo implicava em "ato ilícito e danoso à nossa constituinte". Bem, de minha parte só posso dizer que faço questão de não tomar mais desse licor, sob pena de me tornar tão obtuso e bitolado quanto os (ir)responsáveis por essa causa.



Em tempo: a história completa do caso está disponível aqui, e o blog agora atende pelo novo nome Licor de Marula com Flocos de Milho Açucarados (ou, simplesmente, Alê Félix).



O outro episódio envolve Edney Souza, do imprescindível InterNey. Por conta de dois posts sobre queixas de clientes mal-atendidos por empresas de recolocação de empregos, Edney recebeu ameaças por telefone de uma pessoa que se diz responsável por uma tal de HCO International. Com a palavra, Mr. Souza:



"Ele não se identificou, tenho apenas os telefones de onde ele ligou, e ameaçou me processar em R$ 1 milhão pois disse que tem danos comprovados de R$ 50 mil que foram causados pelo meu site".



Inconcebível. Será que se aproxima o dia em que cada internauta precisará recorrer a assistência jurídica antes de publicar qualquer texto em seu site? Espero eu que não cheguemos a tal grau de acefalia e cerceamento dos direitos de livre expressão. Caso contrário, blogueiros que advogam como minha namorada, Daniel Barros, Paula Foschia, Gravataí Merengue e Danilo Amaral começarão a receber muitas consultas num futuro próximo...






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