Copie Et Après - COM FIGURINHAS


Terça-feira, Abril 13, 2004

opinião do... Farinhada.



A PAIXÃO DE GIBSON

Tenho certeza que se "A Paixão de Cristo", do Mel Gibson, não fosse sobre a própria e, sim, sobre a paixão de Joaquim, de John ou de Zé Ninguém, das duas uma: ou o filme seria desprezado ou faria de Gibson um novo Quentin Tarantino.
O sangue que espirra na cara da gente não seria tão salgado se não fosse derramado pelo Filho de Deus. O filme não iria chocar tanto se quem levasse trinta e duas chibatadas de sádicos e "clichezados" soldados romanos fosse um pobre, negro e favelado, de qualquer cidade brasileira. Mas é Dele, do Messias. O sangue que Ele derramou por nós no Calvário choca muito mais do que o sangue derramado em cada esquina do Brasil por tantos "filhos de Deus" porque nos lembra que cada chibatada, cada naco de carne que pula na tela, cada passo dado entre os 500 metros que separavam o palácio de Pilatos da colina do Gólgota, com o pecado do mundo nas costas, foi o preço que Cristo pagou para nos livrar do mal. A Paixão de Gibson choca muito mais por nos deixar com a sensação de que não fomos merecedores do seu sofrimento do que por ser realmente algo de uma violência nunca vista no cinema. Já se viu coisa muito pior, em termos de sadismo e sanguinolência. Já se viu coisa pior em termos de violência. Não há, na verdade, porque tanto choque. São cenas fortes, sim. Mas são fortes, principalmente, pelo simbolismo impregnado em nossa mente cristã desde crianças. São fortes porque doem na alma da gente.
Diz-se que é um filme anti-semita. Não acho. Opinião de leigo, claro. Mas mesmo assim, não acho. Seria como dizer que qualquer filme que mostre nazistas é anti-germânico. Diz-se que é um filme superficial. E é, mesmo. Um filme que trata das últimas doze horas de Cristo não teria como não ser superficial e precisa ser focado no que aconteceu nesse período. Além do mais, todo cristão tem, em tese, obrigação de conhecer toda a história do Salvador. Está tudo na Bíblia. Estão todos lá. Se você é cristão e não reconhece os personagens do filme, não é o filme que é ruim. É você que é um cristão, no mínimo, relapso. Como eu sou. Não reconheci vários deles. Mas fui buscar quem era quem. E conheci Verônica, e conheci Simão Cireneu, e conheci um pouco mais do que conta o Livro Sagrado.
É muito fácil criticar Gibson e o sangue da Paixão de Cristo. É mais difícil criticar a nós mesmos e ver que aquilo tudo que Ele passou para nos redimir parece ter sido em vão. É mais difícil convencermos a nós mesmos de que se aquilo tudo que vimos acontecesse hoje, em 2004, poderia ter o mesmo final. Você, aí, acreditaria que um homem pobre, de barba, dizendo-se filho de Deus, não era um louco? Você não o iria crucificar, mesmo de forma metafórica, na mesma hora? Pode até dizer que não. Não duvido de você. Mas, tem certeza?
Eu gostei do filme. Existem outros melhores. Existem filmes que mostram toda a mensagem de paz, esperança e fé deixada por Cristo. Óbvio. Mas o que esse filme tem de diferente é justamente a crueza das imagens. Que embrulham mais do que o estômago: embrulham o peito. E não é pelo sangue. O "sensacionalismo" de Gibson choca muito mais por nos fazer perceber que a mensagem de paz já não nos impressiona mais.
Porque, sangue por sangue, a gente pisa nele toda noite, ao sair do trabalho e ir para casa. E não está nem aí.



þérolå - 10:55 PM Comments:


Quinta-feira, Abril 01, 2004

na ópera com... Mata Hari e 007.

Colombo



Assisti Colombo de Carlos Gomes no Theatro Municipal de São Paulo. Uma das últimas óperas de Carlos Gomes, um poema sinfônico. Vocês não imaginam como essa música é maravilhosa. E a montagem estava belíssima apesar de visivelmente com poucos recursos, mas muito bem utilizados. O regente foi Roberto Duarte, que rege muito obras de Carlos Gomes, que como sabem não é tão montada assim no país como deveria.



As óperas de Carlos Gomes fizeram sucesso na Europa, mais precisamente no principal teatro de ópera do mundo na época, o Scalla de Milão. E está entre os principais compositores italianos de ópera no período. Pensando no Brasil, é estranho montarmos tão pouco as óperas do compositor. Ele parece ter sido mais considerado e respeitado no exterior que no Brasil. Fico muito feliz quando vejo montagens dele no Brasil, o que é raro. Colombo foi muito dez, pena que só tiveram 3 récitas a preços salgadíssimos, R$ 100,00 a R$ 30,00 os ingressos. Precisava ter mais récitas, quem sabe não reprisam mais pra frente. Fiquem de olho.



Eu amei a direção cênica do William Pereira, eu adoro os trabalhos desse diretor. Ele conseguiu com poucos recursos fazer uma direção tão maravilhosa. A cena do barco na foto lá no começo é incrível. O Coral Lírico e os figurantes caem, se movimentam, que parece mesmo que o barco está numa tempestade. Os solistas também estão excelentes, quem interpreta Colombo é o ótimo Sebastião Teixeira, na foto. Como já devem ter percebido é sobre Cristovão Colombo. O Frade foi interpretado pelo ótimo Sávio Sperandio. O rei e a rainha são Marcelo Vannucci e Mônica Martins. A dança foi muito interessante. Talvez o público mais conservador não tenha gostado. Acontece quando Colombo chega nas Américas. William acaba atualizando a dança e fazendo uma crítica mordaz, jocosa e de muito humor negro sobre a colonização, não somente a espanhola. Amei, foi um espetáculo maravilhoso!!!.




þérolå - 12:04 AM Comments:





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