Copie Et Après - COM FIGURINHAS
Segunda-feira, Julho 26, 2004

"Na manhã em que me levantei para começar este livro tossi. Algo estava a sair-me da garganta, a estengular-me. Rasguei o cordão que o retinha e arranquei-o. Voltei para a cama e disse: Acabo de cuspir o coração. Existe um instrumento chamado quena que é feito de ossos humanos. Tem origem no culto que um índio dedicou à sua amante. Quando ela morreu ele fez dos seus ossos uma flauta. A quena tem um som mais penetrante, mais persistente do que a flauta vulgar. Aqueles que escrevem sabem o processo. Pensei nisto enquanto cuspia o coração. Só que não estou à espera da morte do meu amor."
Anaïs Nin, in Casa do Incesto
"Vou criar o que me aconteceu. Só porque viver não é relatável. Viver não é vivível. Eu vou ter que criar sobre a vida." "Eu não compreendo o que vi. Eu nem mesmo sei se vi, já que meus olhos acabaram não se diferenciando da coisa vista." "Ah, meu amor, as coisas são muito delicadas. A gente pisa nelas com uma pata humana demais, com sentimentos demais. Só a delicadeza da inocência é que sente o seu gosto quase nulo."
Clarice Lispector
"Deixa em paz meu coracão, Que ele é um pote até aqui de mágoa, E qualquer desatenção, faça não, Pode ser a gota d'agua".
Chico Buarque
7
Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordermos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.
Julio Cortázar# O Jogo da Amarelinha #
"Ainda que chova, ainda que doa Ainda que a distância Corroa as horas do dia E caia a noite sem estrelas O mundo brilha um pouquinho mais A cada vez que você sorri" Pablo Neruda "Uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes". Paulo Mendes Campos - O Amor Acaba ...
"Então voltaste. E eu te disse que além do que tínhamos, não nos restava nada. Disseste depois que o dia inteiro só querias chorar, e que eu aceitasse. Eu disse que achava bonito e difícil ser um tecelão de inventos cotidianos. E acho que não nos dissemos mais nada, e dissemos outra vez tudo aquilo que já havíamos dito e diríamos outras e outras vezes, e de repente percebemos com dureza e alívio que já não era mais o dia de ontem - mas que conseguiríamos sentir que quem não nascer de novo já era no Reino dos Céus. Não sei se não ouviste, mas ele não veio e a noite inteira o telefone permaneceu em silêncio. Foi só hoje de manhã que ele tocou e eu ouvi a tua voz perguntando lenta se eu ia continuar tecendo. Olhei para tua cama vazia, e para os livros sobre o caixote branco, e para as roupas no chão, e para a chuva que continuava caindo além das janelas, e para a pulseira de cobre que meu amigo me deu, e para a ausência do amigo queimando o pulso direito, mas perguntaste novamente se eu estava disposto a continuar tecendo e então eu disse que sim, que estava disposto, que teceria. Que eu teço."
Caio Fernando Abreu, in O Dia de Ontem
Quero me casar na noite na rua no mar ou no céu quero me casar. Procuro uma noiv aloura morena preta ou azul uma noiva verde uma noiva no ar como um passarinho Depressa, que o amor não pode esperar !
Carlos Drummond de Andrade
"Se tens um coração de ferro, bom proveito! O meu fizeram de carne e sangra todo dia!" José Saramago
Se tanto me dói que as coisas passem É porque cada instante em mim foi vivo Na busca de um bem definitivo Em que as coisas de Amor se eternizassem
Sophia de Mello Breyner Andresen
"Tem gente que rouba a nossa solidão, e não nos faz companhia." Carlos Heitor Cony
"Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo." Caio Fernando Abreu
poeticamente postado por andrea augusto@angelblue83
às 09:24
þérolå - 11:29 AM
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retorno poético... À Flor da Pele
Como é bom estar perto de quem amamos!
Como é gostoso estar junto, pertencer em essência.
Talvez por eu estar muito pensativa ultimamente,
os questionamentos e, consequentemente, as dúvidas e certezas
ganham uma importância descomunal.
E, no resumo da ópera, o que pesa mesmo é o encantamento que o amor proporciona.
Por mais complicado que seja um relacionamento (e eles sempre são),
fica sempre a certeza de que só se ganha quando se ama alguém.
Amar alguém significa partilhar seu interior com outra pessoa,
deixar que ela lhe invada, que ela saiba exatamente como você é
(mesmo que o outro nunca consiga saber, o fato é que permitimos a inspeção).
A questão é: nós nos tornamos conscientemente vulneráveis.
Ficamos alí, coração exposto, sabendo que vai doer (sempre dói),
sabendo que vai dar prazer (muuuuito),
sabendo que a essência da nossa humanidade - nosso melhor e nosso pior,
está alí à disposição do eleito.
Na maioria das vezes não nos damos conta de como deixamos o outro se enraizar em nós...
quando percebemos, estamos irremediavelmente pertencendo a outra pessoa.
Alguns consideram isso ruim, dizem que isso nos tira a individualidade.
Discordo.
Ruim é não ter com quem partilhar sua individualidade.
Pertencer não significa abrir mão de si mesmo e sim "ser em conjunto"...
Ser de forma plena, completa.
Muitas pessoas vivem relacionamentos aparentemente tranqüilos e jamais pertencem ao outro.
Acredito sinceramente (por vivência plena) que um relacionamento deve ser visceral.
Você deve se sentir de alguém como se fosse parte do corpo, da alma dele.
Isto não quer dizer que deva deixar de ser você....claro que não!....
Pois se esta é a melhor parte...
Você, com suas qualidades e defeitos,
Você com suas características únicas, sua risada, seu jeito, seu cheiro, seu gosto....pulsando dentro de alguém que você ama...marcando indelevelmente sua história.
Por isto e mais uma centena de razões,
afirmo que é muuuito bom pertencer.
*****
Bom fim de semana, amigos queridos.
Beijos para todos
þérolå - 11:25 AM
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leitura romanceada na... Casinha do Tobias
Acordou, olhou o tempo pela janela. Arrumou-se. Desceu os degraus do edifício, atravessou a rua e dirigiu-se à padariazinha da esquina. Entrou na fila e aguardou a vez. A moça de uniforme chamou secamente, sem levantar os olhos e sem completar a palavra:
- Próximh!
Ele então pediu:
- Dois pãezinhos de trigo, por favor.
A moça de uniforme, ainda sem levantar os olhos e de cara fechada, jogou dois pães para dentro do saco de papel e entregou. Continuou mecanicamente:
- Próximh!
Ele dirigiu-se ao caixa. Lá um senhor de bigodes portugueses e cenho franzido olhou a preço marcado pela caneta esferográfica no pacote, dedilhou umas teclas da maquininha eletrônica registradora, e cantou o resultado, em voz também seca. O freguês tirou umas moedinhas do bolso, entregou-as ao próximo dono e despediu-se: Tenha um bom dia!
Ao sair, parou no primeiro degrau abraçado ao saco de papel. Olhou-o leu as letras de vermelho-escuro: "Nosso prazer é serví-lo! Volte sempre!" Achou graça. Como tinha alma de poeta amante da vida, olhou para o céu e para o sol desavergonhados, fechou os olhos e suspirou o cheiro de pão quentinho e crocante. E foi-se embora cantarolando uma de suas canções preferidas.
Baseado em fato real, romanceado para ler.
enviada por **cybele**
þérolå - 11:21 AM
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críticas no... Pão na Chapa
[ dos super heróis ]
Confesso que esse tipo de filme está lonnnge de ser o meu preferido mas, como "agradar o marido (algumas vezes)" faz parte do Manual do Casamento Saudável, lá fui eu ontem assistir Spiderman 2.
Definitivamente os super heróis já não são mais os mesmos.
Como já disse, gostar deles eu nunca gostei de fato, mas até que o Spider não era de todo ruim. Pelo menos não era no tempo em que eu assistia desenhos animados e não é à toa que o verbo aqui está no passado.
O Homem Aranha do cinema é ruim pra cacete.
Ok, Peter Parker sempre foi meio bocó e tal mas a dupla Tobey Maguire e Sam Raimi (quem é esse?) conseguiram destruir o pouco de consideração que eu ainda tinha pelo aranha bobão. De bobão ele passou a semi-debilmental e em muitos momentos do filme você precisa se concentrar moooito para lembrar qual o herói em questão. E, se nos desenhos antigos, você ainda tinha motivos para admirar aquele jeitinho meio tímido, meio bobo do Peter, nesse novo filme você não tem nenhum.
O que se vê nos 90 (sonolentos) minutos de filme é um garotinho feio (ok, Tobey Maguire não contribui em nada para ser o contrário e... vamos combinar? super herói feio é o fim da picada né?), bobo, apaixonado e confuso.
Para piorar, o filme peca ainda no quesito vilão. Alfred Molina está bem no papel porém o vilão é fraco e ... bonzinho(!!!). Agora, me digam, tem alguma chance de um filme de ação ser bom se o vilão é bonzinho? E se ele resolver salvar Nova York nos minutos finais mesmo que isso signifique acabar com a própria vida? Ora, faça-me o favor né?
Essa coisa de "bonzinho" destrói qualquer personagem que deveria ser mau, afinal, ser mau é o mínimo que se espera de um vilão que também pode e deve ser atormentando, pscicopata, cruel e egoísta. (Lembram do Hannibal cortando a sua mão para deixar a salvo as mãozinhas delicadas de Julianne Moore em Hannibal? Pois é, Dr. Lecter perdeu ali toda a sua característica principal e não me venham falar que ele era apaixonado pela agente e coisas desse tipo. O mínimo que podia se esperar do Dr. Lecter é que ele cortasse a mão dela e depois comesse, dedinho por dedinho).
Bem, voltando ao Aranha... Doc Ock é um vilão inexpressivo, sem graça e sem nenhuma característica marcante, nada. Apenas (mais um) cientista às voltas com um experimento, no caso, uma bola de fogo capaz de produzir a mesma energia do sol. E só. Segundo meu maridinho os tentáculos (é isso?) dele são demais (!!!) - particularmente não vi nada demais nisso também. Mas, de um modo geral, no quesito efeito especial até que o filme cumpre o papel - tem efeitos aos montes e, para Hollywood, aqueles tentacolozinhos são fichinha.
No fim, Spiderman 2 não passa de um romancezinho água-com-açucar com algumas cenas de ação.
Mas, se é romance que você quer ver fique com as tradicionais comedinhas românticas (qualquer uma, e você já ficará no lucro).
Já se o que você procura é ação talvez você saia do cinema decepcionado. Ou não. Meu marido, fã de quadrinhos e super heróis, achou o filme bom. Vai entender.
Já eu, apenas reforcei a minha tese de que os super-heróis definitivamente não fazem parte do meu universo (a menos, é claro, que ele seja George Clooney metido numa roupa de couro preta e...er...xá pra lá).
;-)
þérolå - 11:12 AM
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relembranças no... CoRação Valente

Dormi com a TV ligada revisando um trabalho de texto e quando acordo hoje cedo, dou com a Ana Maria Braga, sem som mas super-agitada com aquele ar de "vou dar uma receita imperdível". Algumas são boas mesmo e eu sou testemunha viva disso, então antes de desligar o aparelho resolvi aumentar o volume. Ela falava sobre hoje ser o dia do amigo. E a produção do programa tratou de presentear uma telespectadora com um encontro com colegas do pré-primário, 25 anos depois! Foi uma emoção só. Todos chorando e se abraçando e descobrindo quem era quem (afinal dos 5 pros 30 anos, em geral se muda muito, né?) Achei curioso o desejo da moça: ela querer encontrar amigos da primeira infância que nunca mais viu. Fiquei pensando quais dos meus amigos do pré ainda me lembro e conseguir reunir apenas meia dúzia na memória. O que será que fazem hoje? Que tipo de homens e mulheres serão? As pessoas passam por nós, algumas deixam lembranças, outras se apagam como estrelas cadentes. Nem sempre me conformo em perder bons amigos, mas às vezes a vida, nós, ou eles próprios se encarregam do afastamento. Uma pena. Esses de um passado longínqüo, muitos nunca mais veremos ou saberemos notícias. Outros, de passados recentes, é triste ver indo embora, ainda que não tenham sabido ser amigos quando mais precisamos, ainda que tenham pisado na bola e não tenham tido a coragem de se retratar, ainda que perguntem por nós aos outros mas não se rendam à vontade singela de nos procurar para um abraço... É triste ter amigos fracos. Amigos que desconhecem a força de uma amizade verdadeira. Mas nem por isso deixamos de gostar deles. Apenas somos obrigados a deixar que a vida os ensine o que perderam, ao perderem a nossa dedicação e cuidado. Quem fica sabe. Quem perdoa ganha. Quem sabe pedir perdão permanece. No dia do amigo, agradeço a Deus aos que ficaram e agradeço por ter ficado em suas vidas. Do jeito que é possível. Do jeito que cada um é, que se a gente é amigo de verdade aprende a compreender e por isso é compreendido.
þérolå - 11:07 AM
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Sábado, Julho 03, 2004
erotismo no... LAD - Sexo, Álcool e Cotidiano
Doce tentação

Um desejo, uma pétala, uma gota no infinito, um momento num raio de luz... A fotografia é uma maneira de estar na vida, de sonhar, de amar... Desde a primeira 35mm... até à actual SLR digital. A tecnologia muda, mas... o sentimento, a paixão e o olhar são constantes! É na fotografia que me refugio e me expresso: o modo de vida, sentimentos, paixões ou simplesmente momentos.
É desse jeito que o fotógrafo português Pedro Marques Pereira define seu trabalho e sua paixão pela fotografia. A sensualidade nem sempre é o corpo nu.
þérolå - 12:09 PM
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